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Santo do Dia - São Guilherme de Vercelli: o eremita que fundou mosteiros e amou a penúria
Do fervor solitário nas montanhas à liderança de uma nova família monástica, São Guilherme dedicou sua vida à penitência, à oração e ao serviço, tornando-se um modelo de ascese e fundação religiosa
A história de São Guilherme de Vercelli (c. 1085 – 1142), também conhecido como Guilherme da Vercelli, é a de um homem que buscou a Deus na solidão das montanhas, mas cuja santidade e fervor acabaram por atrair muitos seguidores, levando-o a fundar uma importante ordem monástica na Itália. Sua vida foi marcada pela ascese rigorosa, pela oração incessante e por uma profunda caridade.
Os Primeiros Passos na Solidão
Guilherme nasceu por volta de 1085, em Vercelli, no Piemonte, norte da Itália, em uma família nobre. Órfão ainda jovem, foi criado por parentes. Desde cedo, demonstrou uma inclinação profunda para a vida religiosa e a renúncia ao mundo. Aos 14 anos, fez uma peregrinação a Santiago de Compostela, um ato de penitência e devoção comum na época. Ao retornar da peregrinação, Guilherme decidiu não se envolver com as riquezas ou a vida mundana. Escolheu uma vida de eremita, buscando a solidão e a comunhão íntima com Deus nas montanhas. Passou um tempo em Muro Lucano e, posteriormente, em Nola, próximo a Avellino, na região da Campânia, sul da Itália. Sua busca por um lugar de maior retiro o levou a uma montanha árida, que seria conhecida como Montevergine.
A Fundação de Montevergine e a Nova Ordem
No Montevergine, Guilherme viveu em extrema pobreza e oração, construindo uma pequena cela para si. Sua fama de santidade e a austeridade de sua vida começaram a atrair outros homens que desejavam seguir seu exemplo. Eles se reuniram em torno de Guilherme, formando uma comunidade que vivia segundo uma estrita observância da Regra de São Bento, adaptada a um estilo de vida mais rigoroso e eremítico. Assim nasceu o famoso Mosteiro de Montevergine, fundado por volta de 1119. A comunidade cresceu rapidamente, mas as tensões e a inveja surgiram. Guilherme, buscando paz e novos desafios para sua vocação eremítica, decidiu deixar Montevergine, confiando a liderança a um de seus monges. Ele então peregrinou para o sul, buscando lugares ainda mais isolados. Fundou outras comunidades, sempre com o mesmo espírito de rigor e simplicidade. Sua influência se estendeu até a Apúlia, onde, com o apoio do Rei Rogério II da Sicília, fundou o Mosteiro de Monte Serico e a Abadia de Goleto, esta última para monges e monjas em casas separadas, mas sob a mesma regra.
Um Mestre Espiritual e Caridoso
Apesar de seu amor pela solidão, Guilherme era também um mestre espiritual carismático e um pastor dedicado. Suas fundações deram origem à Congregação dos Eremitas de Montevergine, que mais tarde seria conhecida como os Guilhermitas. Eles viviam sob uma regra própria, baseada na beneditina, mas com ênfase na penitência, na oração contemplativa e na caridade. Guilherme era conhecido por sua capacidade de converter pecadores e por sua caridade com os pobres e necessitados. Muitos milagres foram atribuídos à sua intercessão, inclusive curas e a multiplicação de alimentos. A ele também é associada a lenda de ter domado um lobo que havia atacado seu asno, transformando o animal em um companheiro dócil.
Morte e Legado
São Guilherme de Vercelli faleceu em 25 de junho de 1142, no Mosteiro de Goleto, onde seus restos mortais foram venerados por muito tempo. Foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1942, em reconhecimento à sua vida de santidade e à sua contribuição para a vida monástica. Sua festa é celebrada em 25 de junho. São Guilherme de Vercelli permanece como um exemplo de busca radical por Deus na solidão, de coragem na fundação de novas formas de vida religiosa e de amor pelos necessitados. Seu legado monástico continua vivo, inspirando a todos que buscam uma vida mais profunda de fé e serviço.