Geral
Confira os premiados no Festival do Cinema de Brasília
"Filme de Amor", do diretor Julio Bressane, foi o grande vencedor do 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o único vaiado pelo público durante os seis dias de exibições da mostra competitiva. A premiação para o filme, na noite de ontem (25) no Teatro Nacional Claudio Santoro, incluiu troféus Candango para a fotografia de Walter Carvalho e a trilha sonora de Guilherme Vaz.
Julio Bressane confessou estar surpreso e honrado com os prêmios: "No meio de tanta gente de qualidade, qualquer um deles poderia estar aqui são diretores acima do bem e do mal".
A melhor atriz do Festival, segundo o júri, foi a austríaca Ruth Rieser por "Lost Zweig", de Silvio Back. E o melhor ator foi Paulo César Peréio, por seu trabalho em "Harmada", de Maurice Capovilla. Peréio aproveitou a ocasião para pedir que os incentivos ao cinema sejam feitos em dólar, e não em Real: "A gente tem que comprar em dólar, por que os incentivos do ministério da Cultura são em Real? Isso não é um protesto, é uma reivindicação que faço. O ator já fez mais de 50 filmes e já foi dirigido por Glauber Rocha em Terra em transe (1966), Arnaldo Jabor em Toda nudez será castigada (1973), Neville D'Almeida em Navalha na Carne (1997) e Paulo Cezar Saraceni em O Viajante (1999).
Glauber o Filme Labirinto do Brasil, um documentário sobre Glauber Rocha, do diretor Silvio Tendler, não recebeu prêmio do júri oficial, mas foi o melhor filme na opinião do público prêmio do júri popular e da crítica. "Acho que o sonho de qualquer diretor é ser reconhecido pelo público e pela crítica juntos e eu consegui, estou muito feliz e pretendo retribuir com filmes e mais filmes, disse o diretor. Como dizia Castro Alves, o povo é mais sentimento que idéia'. O público assistiu no festival a cinco filmes de ficção e um documentário. E escolheu o documentário, acrescentou Tendler.
Quem não pôde assistir a Glauber o Filme Labirinto do Brasil, pode aguardar a chegada dele aos cinemas. Tendler comemorou ainda a notícia recebida na cidade, de que os filmes de Glauber Rocha estão esgotados em todas as locadoras "porque a garotada que não o conhecia, depois do meu filme correu para alugar os filmes dele.
O documentário também recebeu o prêmio não-oficial do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro pelo melhor material de pesquisa. Foram 22 anos para fazer o filme, devido à pesquisa e à proibição pela mãe de Glauber, Lucia Rocha, de exibição de algumas imagens do cineasta morto. Ela ficou muito chocada com a morte do filho, depois de ter perdido o marido e uma filha. E dizia que 'é pornográfico' perder um filho", conta Tendler. Lucia Rocha não compareceu à premiação, por ter sido submetida recentemente a uma cirurgia cardíaca: "Não sei se vou resistir à emoção", alegou ao diretor.
"Lost Zweig", de Silvio Back, também levou os troféus Candango de direção de arte, para Bárbara Quadros, e de melhor roteiro, feito pelo próprio diretor e por Nicholas ONeill. Já "Garotas do ABC", de Carlos Reichenbach, que era apontado como o principal candidato ao prêmio de melhor filme, levou apenas os dois troféus para os atores coadjuvantes Vera Mancini e Ênio Gonçalves.
O troféu de melhor diretor foi para Rogério Sganzerla, representado na cerimônia por sua filha, a atriz Djin Sganzerla, que repetiu uma frase dele: "Minha filha, o que pode me curar, me salvar nesse momento é uma câmera. Viva o cinema!.