Cassilândia

Para evitar prejuízo de R$ 1,3 milhão, TCE suspende contrato de Cassilândia

Decisão em edição extra do Diário Oficial aponta indícios de irregularidades com empresa investigada

Por Kamila Alcântara, Campo Grande News  em 06 de setembro de 2025 - 19:09

Para evitar prejuízo de R$ 1,3 milhão, TCE suspende contrato de Cassilândia

O TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) determinou, em decisão publicada em edição extra do Diário Oficial desta sexta-feira (5), a suspensão imediata da adesão da Prefeitura de Cassilândia a uma ata de registro de preços da empresa GTF – Centro América. A medida cautelar foi concedida após denúncia que apontou supostas irregularidades na gestão do contrato de serviços de frota do município.

A denúncia, relatada pelo conselheiro Iran Coelho das Neves, afirma que a administração municipal optou por não prorrogar o contrato administrativo, ainda em vigor, e preferiu aderir à ata da GTF sem apresentar justificativa clara de vantagem econômica. A empresa beneficiada já é alvo de investigações no próprio tribunal, em outro processo.

Além da troca considerada sem motivação, a parte denunciante sustenta que há débitos superiores a R$ 1,3 milhão referentes ao contrato anterior. O relator destacou que a falta de fundamentação para encerrar um contrato em plena execução e a escolha de uma empresa sob apuração reforçam indícios de violação aos princípios da moralidade e da impessoalidade na administração pública.

O conselheiro também apontou risco de prejuízo imediato ao erário caso a nova contratação fosse formalizada. "A iminente formalização da adesão e o início dos pagamentos à nova empresa podem gerar dano irreparável ou de difícil reparação ao erário municipal", diz trecho da decisão.

Com a medida, o TCE-MS determinou que a prefeitura suspenda qualquer ato administrativo ou financeiro relacionado à adesão da GTF e se abstenha de realizar pagamentos à empresa até nova deliberação. Além disso, foi fixado prazo de 20 dias úteis para apresentação de documentos que justifiquem a decisão de não prorrogar o contrato anterior, os estudos de preços que embasaram a adesão e a situação atualizada dos débitos apontados.

A decisão cautelar busca resguardar o interesse público e evitar prejuízos aos cofres municipais, enquanto o caso segue em análise pelo TCE-MS. A reportagem entrou em contato com a gestão municipal e com a empresa, mas ainda não houve manifestação. O espaço está aberto para esclarecimentos.