Cassilândia
“Fui atendido na porta”: cadeirante denuncia falta de acessibilidade no comércio e descaso com rampas
Em depoimento emocionante, cadeirante detalha como falhas no asfalto e falta de consciência empresarial "aprisionam" pessoas com deficiência em suas casas

O ex-rádialista e agora cadeirante, Feltrim, utilizou o espaço do programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca, nesta quarta-feira, 15 de abril, para expor a realidade invisível para muitos, mas cruel para quem depende de uma cadeira de rodas para se locomover em Cassilândia,. Ele relatou que, ao tentar fazer compras no centro da cidade, viveu o constrangimento de não conseguir sequer adentrar aos estabelecimentos.
A "humilhação" no atendimento comercial
Feltrim descreveu um episódio em que teve de efetuar suas compras na calçada, pois a loja não possuía rampa de acesso. "Fui atendido na porta como se não tivesse o direito de entrar e ver as mercadorias que estão expostas dentro do comércio", lamentou o ex-radialista. Ele ressaltou que a construção de rampas não é apenas uma questão de consciência, mas o cumprimento de uma Lei Federal que garante o livre acesso a qualquer tipo de estabelecimento. O ex-radialista fez um apelo direto aos empresários locais para que comecem a mudar essa realidade, sugerindo que Cassilândia poderia se tornar uma referência nacional em acessibilidade se houvesse união para adaptar as entradas das lojas.
Falhas do Poder Público: o "asfalto que bloqueia"
Além das barreiras nos comércios, Feltrim apontou falhas graves na manutenção das vias públicas. Ele denunciou que, em muitos locais onde já existiam rampas, o recapeamento asfáltico recente promoveu uma elevação do nível da rua, criando um "degrau" que bloqueia o acesso. Para quem utiliza cadeiras motorizadas, esse problema é técnico e perigoso: as rodas desses equipamentos possuem cerca de 12 polegadas e, ao encontrarem essas elevações mal executadas, giram em falso, deixando o cadeirante imobilizado no meio da via. "É constrangedor você ficar ali sem poder ir nem para frente nem para trás porque o trabalho foi mal feito", criticou.
O perigo das canaletas e o isolamento social
Outro ponto de crítica foram as canaletas nos cruzamentos, classificadas por ele como profundas, largas e, em muitos casos, danificadas. Feltrim relatou que já danificou sua própria cadeira várias vezes nessas estruturas desproporcionais. O impacto dessas barreiras vai além do físico, atingindo o psicológico. Feltrim alertou que muitos cadeirantes em Cassilândia deixam de sair de casa por medo de cair em canaletas ou ficar presos em buracos, o que leva a estados de depressão. "Só quem vive numa cadeira de rodas sabe o quanto é ruim você ficar prisionado dentro da sua casa porque as vias não favorecem a locomoção", concluiu, pedindo que a administração municipal, a qual ele elogiou em outros aspectos, olhe com urgência para a correção dessas rampas e acessos.
Ouça o que disse Feltrin: