Cassilândia
Especialista explica atualização de limites territoriais de Cassilândia através de novas tecnologias
Em entrevista, o geógrafo Antônio Iderlian esclarece que mudanças buscam precisão cartográfica e são coordenadas pela Agraer, não pelo IBGE.

A edição de 26 de junho de 2026 (sexta-feira) do Programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca, trouxe uma entrevista técnica e esclarecedora com o geógrafo cassilandense Antônio Iderlian. Mestre e doutorando em Geografia, Antônio atua como técnico no Laboratório de Geoprocessamento da UFMS e apresentou uma pesquisa minuciosa sobre a evolução cartográfica do município de Cassilândia, após notícia veiculada pela Rádio Patriarca, de um decreto municipal readequando a APA da Sub-Bacia do Aporé, em virtude de informações recebidas pelo município.
A evolução dos mapas: de passos a satélites
Antônio Iderlian explicou que a definição dos limites municipais no Brasil passou por grandes transformações tecnológicas. No período da emancipação de Cassilândia (desmembrada de Paranaíba na década de 1950), as delimitações eram frequentemente genéricas, baseando-se em elementos naturais como cabeceiras de rios, cursos d'água ou divisores de águas.
O geógrafo revelou curiosidades históricas sobre as medições antigas, mencionando que, em muitos casos, as divisas eram estabelecidas através de contagem de passos ou pelo uso de cordas com nós para representar distâncias. Com a criação da agência Terra Sul (antecessora da Agraer) nos anos 80, iniciou-se um trabalho de correção e revalidação dessas interpretações para reduzir as imprecisões da época.
O papel da Agraer e o equívoco sobre o IBGE
Um dos pontos centrais da fala de Iderlian foi o esclarecimento de que o IBGE não é o órgão responsável pela demarcação legal dos limites territoriais. Segundo o especialista, o IBGE apenas coleta e publica as informações fornecidas pelos órgãos estaduais competentes. No caso de Mato Grosso do Sul, a atribuição legal para definir e corrigir limites pertence à Agraer.
As atualizações recentes que afetaram Cassilândia e outros municípios do estado decorrem do aperfeiçoamento das técnicas de geoprocessamento e georreferenciamento. O uso de imagens de satélite de alta resolução permite agora localizar com precisão exata onde começa uma bacia hidrográfica ou onde se encontra a confluência de dois córregos, corrigindo distorções que existiam nos mapas manuais de 1979.
Impacto e pesquisa histórica
O geógrafo trouxe para a entrevista documentos e desenhos dos primeiros mapas de Cassilândia, mostrando como o desenho do município evoluiu até o formato atual. Ele destacou que esse processo de "colocar os limites no seu devido lugar" é um movimento natural da ciência cartográfica e ocorre em diversos outros municípios, como Dourados e Itaporã, visando uma divisão político-administrativa mais fiel à realidade geográfica.

Confira a íntegra da entrevista: