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Endocrinologista explica o uso de canetas emagrecedoras, a necessidade de mudança de hábito e acompanhamento médico

Médica Endocrinologista Aline Barbuio Tanaka, concedeu entrevista nesta sexta-feira (19/09) no Programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca

Por Cassilândia Notícias  em 19 de setembro de 2025 - 13:48

Endocrinologista explica o uso de canetas emagrecedoras, a necessidade de mudança de hábito e acompanhamento médico
Dra. Aline Barbuio Tanaka, médica endocrinoloista.

A Dra. Aline Barbuio Tanaka, médica endocrinologista, concedeu entrevista nesta sexta-feira, ao Programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca, para esclarecer as dúvidas sobre as canetas emagrecedoras.

Da diabetes à obesidade: As canetas, que contêm substâncias como liraglutida e semaglutida, são tecnologias desenvolvidas desde o final dos anos 90. Elas foram criadas inicialmente para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 2. Hoje, são liberadas para o tratamento da obesidade ou do excesso de adiposidade (gordura disfuncional) associado a comorbidades como esteatose hepática, apneia do sono e hipertensão. O medicamento age como um peptídeo intestinal, prolongando a sensação de saciedade, reduzindo o esvaziamento gástrico e inibindo a compulsão alimentar no sistema nervoso central.

Segurança e riscos: Dra. Aline explicou que a medicação não causa hipoglicemia em quem não é diabético, pois sua ação é dependente do que o paciente ingere e estabiliza a glicemia para a faixa normal. As principais contraindicações incluem pacientes com problemas no pâncreas e com câncer medular de tireoide. O tratamento deve ser rigorosamente acompanhado por um médico, com doses escalonadas para evitar efeitos adversos severos, como vômitos e mal-estar. Pacientes com refluxo, gastrite ou úlcera também devem ter cautela.

Mounjaro e eficácia: O tirzepatida (Mounjaro) é um duplo agonista, considerado mais eficaz. Na dose máxima (15 mg/semana), o Mounjaro alcança uma perda de peso de até 27% do peso corporal em cerca de um ano, resultado próximo aos 30% alcançados em uma cirurgia bariátrica bem-sucedida.

A obesidade como doença crônica: A endocrinologista enfatizou que a obesidade é uma doença crônica, o que significa que o tratamento é de longo prazo e exige vigilância constante. Se o tratamento for interrompido abruptamente ou se os hábitos não mudarem, o peso pode retornar, caracterizando o efeito crônico. O custo do tratamento é elevado. Uma caneta de semaglutida (como wegovy ou ozempic) pode variar entre R$ 1.500,00 e R$ 2.600,00. O tratamento anual pode chegar a cerca de R$ 70.000 se utilizada a dose máxima do Mounjaro (15 mg). Existe a opção oral (comprimido, como ribelsos), que é mais barata na dose inicial (3 mg, cerca de r$ 550 por mês), mas o custo se iguala ao injetável nas doses mais altas. A médica ressaltou que, mesmo com a medicação, é fundamental a reeducação alimentar e a prática de exercícios de força para poupar a musculatura, visto que o medicamento é um meio, e não um fim, no tratamento.

Benefícios adicionais e estética: As canetas trouxeram benefícios além do emagrecimento, como a melhoria do quadro de insuficiência cardíaca, disfunção renal e esteatose hepática em diabéticos. O medicamento preservou a fibra muscular em estudos, atuando na redução da gordura entremeada no músculo. Para pessoas magras que buscam apenas eliminar gordura localizada por questões estéticas, a Dra. Aline aconselhou que a caneta não é a solução, e sim métodos estéticos ou cirurgia plástica.

Confira a íntegra da entrevista, no vídeo abaixo: