Cassilândia

De engraxate a professor em Roraima: a épica jornada de Agnaldo Alves Rufino

Agnaldo recorda a Cassilândia das casas de cavaco, seu trabalho como entregador de pão e a aventura que o levou a desbravar a Amazônia e se tornar mestre na educação.

Por Cassilândia Notícias  em 12 de junho de 2026 - 15:07

De engraxate a professor em Roraima: a épica jornada de Agnaldo Alves Rufino

A trajetória de Agnaldo Alves Rufino, de 78 anos, é um retrato vivo do desbravamento do interior do Brasil e da resiliência de quem cresceu em uma Cassilândia ainda em formação. Em uma entrevista emocionante concedida ao programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca, nesta sexta-feira, 12 de junho, o pioneiro relembrou sua infância na década de 50, sua partida para o Norte do país e como se transformou em um respeitado educador no estado de Roraima. Confira a história de vida completa deste cassilandense:

O Início em Cassilândia: A era das casas de "cavaco"

Nascido em 1947, Agnaldo chegou a Cassilândia em 1952, aos cinco anos de idade, quando a localidade ainda pertencia ao município de Paranaíba. Filho de Dona Nica (Hipótese dos Santos), uma das costureiras mais famosas da época, ele cresceu em uma cidade sem energia elétrica, onde as casas eram cobertas por cavacos de madeira (lascas de cedro) e as crianças brincavam de "pega-pega" sob a luz do luar. Agnaldo recorda com precisão o cenário comercial da época: trabalhou como entregador de pão para a primeira padaria da cidade, de Joaquim Silva, utilizando um carrinho para percorrer a Vila Izanópolis. Também atuou como engraxate no ponto de encontro da famosa paineira, local que servia de parada para os charreteiros — o "táxi" daquele período.

Casamento e o chamado para o desbravamento

Em 1967, aos 20 anos, Agnaldo casou-se com Irani Gonçalves, a quem conheceu de forma curiosa em um parque de diversões após uma sessão de cinema no antigo Cine Alvorada. Em busca de melhores oportunidades, deixou Cassilândia na década de 70 (entre 1972 e 1974), partindo primeiro para a região de Jauru e Cáceres, no Mato Grosso. A vida no Mato Grosso foi marcada pelo trabalho pesado na roça e colheitas de café, mas foi lá que surgiu seu chamado para a educação. Mesmo com pouco estudo formal inicial, Agnaldo e sua esposa foram convidados a dar aulas em comunidades isoladas, iniciando uma carreira que mudaria o destino de sua família.

A Aventura em Roraima e o legado na Educação

Em 1981, movido pela paixão por terras e pela vontade de crescer, Agnaldo atravessou o Brasil em uma viagem de ônibus de vários dias até chegar a Roraima, cruzando a linha do Equador. No extremo norte, estabeleceu-se no município de Caracaraí, onde construiu escolas de "pau-a-pique" e dedicou mais de 31 anos ao ensino público. A superação acadêmica de Agnaldo é notável: o homem que começou trabalhando no campo formou-se em Pedagogia e, antes de se aposentar em 2021, lecionava disciplinas de Sociologia e Filosofia no Ensino Médio.

Família e Raízes

Hoje, Agnaldo colhe os frutos de sua coragem. Dos seus cinco filhos, três seguiram seus passos e são professores aposentados. Ele possui uma linhagem de 10 netos e 8 bisnetos espalhados pelo país. De visita a Cassilândia após anos de ausência, Agnaldo expressou seu orgulho ao ver o progresso da cidade onde engraxou sapatos e entregou pães. Apesar de ter suas raízes fincadas em Roraima, onde mantém propriedades rurais, ele define sua infância em Cassilândia como o período mais feliz e livre de sua vida. "Parabéns aos cassilandenses pela cidade linda e tranquila que têm hoje", concluiu o pioneiro em sua mensagem final.

Assista a entrevista: